Sobre verdades

Posted by vanhomrigh | Posted in Cotidiano | Posted on 12-10-2009

3

Estava assistindo TV com o Jens, um programa sobre ciência. Especificamente, sobre a biblioteca perdida de Alexandria. Então me lembrei de uma história curiosa envolvendo papéis, ou melhor, papiros.

No começo do nosso namoro, antes mesmo de ir morar no Brasil, o Jens me mandou um presente de aniversário super lindo: um monte de papéis, enrolados dentro de um tubo desses que os arquitetos usam para carregar seus projetos.

Ele sabia que eu gostava de origami (e de papéis em si), então mandou um monte de papéis diferentes, uns feitos de folha de bananeira, outros de cocô de elefante africano (sério). Mas um deles era o mais especial: um papiro que ele havia comprado em Israel, quando esteve lá com seus pais há anos atrás.

Eu, pobre mortal do novo mundo, achei impressionante. Nunca tinha visto nem tocado um papiro antes. Uau!

Entretanto, apesar do encantamento, fui um pouco relapsa com a arrumação do meu quarto e acabei deixando os papéis em cima da minha mesa por uns dias.

Alguns dias depois, quando resolvi organizar o quarto e guardar os papéis tão queridos, notei que o papiro não estava mais lá.

Para encurtar a história: a empregada da casa achou que era um papel velho e jogou fora.” Papel estranho… todo desfiado e manchado!”

Eu compreendi. Fiquei chateada, obviamente, mas não pude culpá-la porque, afinal, o papiro realmente parecia um papel estragado. E quem o deixou largado em cima da mesa fui eu. Engoli o choro e repeti mentalmente o clássico “é a vida”.

Mas essa história foi marcante para mim. Eu me senti culpada por ter negligenciado uma coisa tão especial… um papiro comprado pelo Jens em Israel, quando ele era criança. Demorei anos para contar a ele o que tinha acontecido.

Para encurtar ainda mais a história: outro dia, na casa dos pais do Jens, alguém comentou alguma coisa sobre uns papiros que eles uma vez trouxeram de Israel. Referiram-se a eles como se fossem “tralhas” (e pode bem ser que sejam. De repente sou capaz de imaginar os inúmeros vendedores ambulantes em volta dos pontos turísticos empurrando os tais “souvenirs” aos turistas). Até comentaram haver ainda uma pilha deles entulhada em algum lugar.

Eu ri por dentro. Porque às vezes a gente dá um enorme valor a verdades que só existem dentro da nossa cabeça. Não que o presente do Jens tenha perdido seu valor depois da minha descoberta. Continuo achando-o especial. Mas certamente não valeu a culpa e os lamentos que alimentei por tanto tempo ;-)

Beijos

Comments posted (3)

Ufa! Ainda bem, né amiga? Essa história é bem emblemática e serve para ilustrar o quanto fantasiamos acerca de tudo… Gostei! ;)

Caramba é uma daquelas vezes em que a gente cai na real… Poxa me fez refletir muito, viajei no texto, muito bom Van.

Vanessa, amiga, me arrependo de não ter lido seu blog antes, muito divertido, bom te ver co esse sorriso lindo e a expressão de alegria constante, abraços no Jens!!!

Write a comment