Three times first time

Posted by vanhomrigh | Posted in Cotidiano, Dinamarca | Posted on 15-02-2008

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Essa semana foi super legal por três motivos especiais:

  1. Aqui os estudantes têm uma semana de férias no inverno e a minha foi agora. Por isso, tive mais tempo para simplesmente passear. E comecei a me localizar em Copenhague, estou tão feliz. Saí sozinha para um monte de lugares aonde nunca tinha ido e acertei o caminho todas as vezes. Quem me conhece sabe que sou péssima com isso. Estou orgulhosa de mim, me sentindo confiante e menos “handicap”.
  2. Quarta passada fui ao show do The Cure. Foi tudo! Uma catarse total. E o Robert Smith é um urso, um fofo, quero! Comprei uma camiseta com a cara dele e vou dormir com ela toda noite, hahaha.
  3. No show havia, sei lá, umas 6 mil pessoas e, pasmem, eu encontrei uma que eu conhecia! A amiga de uma amiga que eu conheci num jantar. Pode parecer besteira, mas isso me fez sentir tão bem! Me fez sentir em casa, como se eu fosse um cidadão qualquer. E o melhor é que não era uma amiga do Jens, sabe? Era uma pessoa que eu conheci por conta própria. E ela ficou bem entusiasmada por ter me encontrado nesse show, nós pulamos loucamente juntas, e no final trocamos telefones e combinamos de sair. Isso pode significar que eu terei minha primeira amiga dinamarquesa que não veio no “pacote Jens”, não é o máximo?

Agora umas besteiras que não têm nada a ver uma com a outra:

Vocês sabem que aqui na Dinamarca quase não há produção de chocolate? No Brasil existe uma falsa idéia de que os chocolates dinamarqueses são bons. Será que é por causa da loja de chocolates Kopenhague? Pode ser, mas aviso para não cometerem a gafe de comentar sobre os chocolates daqui, acho que eles nem entenderiam… Chocolate bom mesmo, melhor do mundo, é feito na Bélgica.

Essa semana, logo quando eu estava de folga, o Jens começou a estudar. Ele está fazendo um curso sobre produção de documentários. Parece ser muito interessante, ele vai aprender um pouco sobre todas as etapas da produção de um filme, desde a escolha das câmeras até a parte final de produção e distribuição. Ontem ele chegou todo empolgado com o primeiro exercício prático, um filminho de 2 minutos. Pode ser o nascimento de uma estrela.

Está acontecendo uma coisa meio chata aqui. Alguns imigrantes árabes têm organizado uns protestos malucos, queimando carros, escolas, lojas… Parecido com o que acontece na França. Esse é praticamente o único problema social da Dinamarca. E dá para sentir no ar o clima tenso quando a questão são os imigrantes de origem árabe. Eu nem vou comentar esse assunto aqui no blog porque “tudo o que escrever poderá ser usado contra você”, sabem como é? Depois vai ter gente queimando bandeira do Brasil por aí afora, pega mal.

Por falar em imigrantes, encontrei um brasileiro no escritório da imigração quando estava entrando com o pedido de visto. O Jura. Um baiano super figura, que eu saquei ser brasileiro na hora. Primeiro pela linguagem corporal, mas principalmente porque ele estava falando ao celular: “Vai lá para casa, cara, minha irmã vai fazer um rango para a gente”, aí eu comecei a rir, ué, fazer o quê? Ele viu que eu estava rindo e veio falar comigo. Foi ótimo!

O prédio que eu moro foi construído em 1903. Acho que deve ter tido alguma conexão com a Maçonaria, pois nos pequenos e numerosos detalhes espalhados por todo o edifício, há vários símbolos maçons. Quem quiser ver o prédio, há um site sobre ele, com filminho e tudo. Vocês aproveitam e escutam essa linda língua que estou estudando.

A História é realmente valorizada aqui no velho mundo. Eu fico de cara com o tanto que as pessoas sabem! É super normal aqui uma pessoa saber a capital da Letônia ou o nome do presidente da Croácia. Nor-mal! Mas é um pouco mais fácil para eles do que para nós, não há como negar. Aqui eles conhecem as coisas na prática, não só nos livros. Eles já foram à Letônia e têm pelo menos um amigo de um amigo que é croata. E por aí vai… A segunda guerra mundial que a gente estuda na escola, por exemplo, aconteceu aqui, sabe? O avô do Jens escondeu uma família de judeus no porão de casa por mais de um ano quando a Dinamarca foi invadida pela Alemanha. O pai do Jens ainda se lembra de, quando criança, ver as bombas passando no céu e achar bonito, tipo fogos de artifício. Então não dá para comparar a forma como eles encaram essa parte da História com a que a gente encara no Brasil. Quisera eu que todos aí tivessem a oportunidade que estou tendo de trocar experiências com pessoas do mundo todo porque é muito enriquecedor.

Saudades de todos e do Jornal Nacional.

Beijos

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