La Rosière
Posted by vanhomrigh | Posted in Viagems | Posted on 28-01-2008
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Já era noite quando chegamos a La Rosière, não dava para ver direito o tamanho da beleza a nossa volta. Mas acordar de manhã e olhar direto para isso foi uma experiência que nunca vou esquecer. De respirar, entretanto, devo ter esquecido por pelo menos trinta segundos.

Nossos amigos dinamarqueses são uns fofos, foi bem tranqüilo viajar com eles. E o mais legal de tudo é que o planejamento da viagem não teve que ser um fardo para ninguém. Nós simplesmente estávamos jantando com eles nas férias de agosto e alguém sugeriu uma viagem para esquiar. Todos concordaram que o melhor período seria a semana 4 de 2008 (eles contam as semanas aqui, é incrível, você pode perguntar para qualquer pessoa na rua em que semana do ano estamos, que ela vai saber). Um de nós foi eleito o responsável por providenciar passagens/hospedagem e seis ou sete e-mails depois estávamos no aeroporto, indo para a França. Simples assim: sem confusão, sem furos, sem a enrolação tão peculiar a nós brasileiros.
No primeiro dia, esquiar foi meio sofrido: as botas eram um horror, os skis dois trambolhos que deslizavam totalmente fora de controle, e eu suando dentro daquela roupa absurda. Não há outra coisa a dizer, apenas “Anna-Vera, I want to go hooooome!”
Mas algumas horas depois, quando os skis passaram a ser os dominados do trio, a vida ficou bem melhor. E montanha abaixo é a melhor coisa do mundo! Aprendi tão bem a descer as montanhas, que os aventureiros do grupo me escalaram para fazer parte do “Team Italy” e, no último dia, esquiamos até a Itália. São aproximadamente quatro horas de viagem, contando os minutos sentados nos teleféricos. Duas horas para ir e duas para voltar. Mas fizemos o percurso com calma: chegamos à Itália, pedimos uma pizza, relaxamos um pouco, e depois voltamos para a parte francesa dos Alpes orgulhosos da nossa conquista.

Como de praxe, tivemos a maior sorte do mundo com o clima. Seis dias de céu azul e apenas um nevando, bem no meio dos sete, só para dar uma arrumadinha na neve. Nesse dia, a visibilidade nas montanhas era de apenas dez metros, nem foi legal esquiar… Essa foto foi tirada da mesma varanda da primeira, só para vocês terem uma noção.

O Dinamarquês engoliu o Francês do meu cérebro. Eu fiquei tão confusa lingüisticamente! Ia dizer “merci”, saía “tak”, “ok” com os dinamarqueses, saía “d’accord”. A sorte foi que os franceses de La Rosière eram os mais bonzinhos do mundo e tiveram paciência em esperar os quarenta segundos do meu tempo de resposta.
Agora, o estarrecedor: a comida de lá foi uma droga! A dos restaurantes, eu quero dizer. Porque quando cozinhamos em casa foi tudo de bom, principalmente porque tínhamos uma chef de primeira no grupo. Então, depois da terceira experiência frustrante em um restaurante local, decidimos comer em casa sempre, à base de muita baguete e muuuuuuiiito queijo!
Mesmo assim, recomendo o lugar totalmente. La Rosière é uma vilazinha super bem cuidada, com toda a infra-estrutura e com pistas de esqui impecáveis. A beleza dos Alpes é tanta que a gente via as fotos uns dos outros e tinha que rir, de tanto que parecia coisa de Photoshop. E esquiar é gostoso demais! Eu passei uma semana me sentindo como uma criança feliz, descobrindo a vida. Não importa se desde o primeiro dia até hoje eu me conscientizo, a cada passo, de que tenho dois joelhos. Esquiar ainda vale a pena.
