Finalmente!
Ehhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Finalmente!
Ehhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Já era noite quando chegamos a La Rosière, não dava para ver direito o tamanho da beleza a nossa volta. Mas acordar de manhã e olhar direto para isso foi uma experiência que nunca vou esquecer. De respirar, entretanto, devo ter esquecido por pelo menos trinta segundos.

Nossos amigos dinamarqueses são uns fofos, foi bem tranqüilo viajar com eles. E o mais legal de tudo é que o planejamento da viagem não teve que ser um fardo para ninguém. Nós simplesmente estávamos jantando com eles nas férias de agosto e alguém sugeriu uma viagem para esquiar. Todos concordaram que o melhor período seria a semana 4 de 2008 (eles contam as semanas aqui, é incrível, você pode perguntar para qualquer pessoa na rua em que semana do ano estamos, que ela vai saber). Um de nós foi eleito o responsável por providenciar passagens/hospedagem e seis ou sete e-mails depois estávamos no aeroporto, indo para a França. Simples assim: sem confusão, sem furos, sem a enrolação tão peculiar a nós brasileiros.
No primeiro dia, esquiar foi meio sofrido: as botas eram um horror, os skis dois trambolhos que deslizavam totalmente fora de controle, e eu suando dentro daquela roupa absurda. Não há outra coisa a dizer, apenas “Anna-Vera, I want to go hooooome!”
Mas algumas horas depois, quando os skis passaram a ser os dominados do trio, a vida ficou bem melhor. E montanha abaixo é a melhor coisa do mundo! Aprendi tão bem a descer as montanhas, que os aventureiros do grupo me escalaram para fazer parte do “Team Italy” e, no último dia, esquiamos até a Itália. São aproximadamente quatro horas de viagem, contando os minutos sentados nos teleféricos. Duas horas para ir e duas para voltar. Mas fizemos o percurso com calma: chegamos à Itália, pedimos uma pizza, relaxamos um pouco, e depois voltamos para a parte francesa dos Alpes orgulhosos da nossa conquista.

Como de praxe, tivemos a maior sorte do mundo com o clima. Seis dias de céu azul e apenas um nevando, bem no meio dos sete, só para dar uma arrumadinha na neve. Nesse dia, a visibilidade nas montanhas era de apenas dez metros, nem foi legal esquiar… Essa foto foi tirada da mesma varanda da primeira, só para vocês terem uma noção.

O Dinamarquês engoliu o Francês do meu cérebro. Eu fiquei tão confusa lingüisticamente! Ia dizer “merci”, saía “tak”, “ok” com os dinamarqueses, saía “d’accord”. A sorte foi que os franceses de La Rosière eram os mais bonzinhos do mundo e tiveram paciência em esperar os quarenta segundos do meu tempo de resposta.
Agora, o estarrecedor: a comida de lá foi uma droga! A dos restaurantes, eu quero dizer. Porque quando cozinhamos em casa foi tudo de bom, principalmente porque tínhamos uma chef de primeira no grupo. Então, depois da terceira experiência frustrante em um restaurante local, decidimos comer em casa sempre, à base de muita baguete e muuuuuuiiito queijo!
Mesmo assim, recomendo o lugar totalmente. La Rosière é uma vilazinha super bem cuidada, com toda a infra-estrutura e com pistas de esqui impecáveis. A beleza dos Alpes é tanta que a gente via as fotos uns dos outros e tinha que rir, de tanto que parecia coisa de Photoshop. E esquiar é gostoso demais! Eu passei uma semana me sentindo como uma criança feliz, descobrindo a vida. Não importa se desde o primeiro dia até hoje eu me conscientizo, a cada passo, de que tenho dois joelhos. Esquiar ainda vale a pena.



Vai um post bem doidinho sobre as primeiras impressões e experiências. Jogo rápido porque por incrível que pareça estou com mais coisas para fazer do que horas no dia.
O dinamarquês está acabando comigo. Não o daqui de casa, esse é um fofo, o melhor homem do mundo. Estou falando do idioma mesmo, ô linguazinha cretina. Ontem, véspera da minha quarta aula, passei três horas fazendo dever de casa, literalmente. E a impressão é de que não aprendi nada. Quando escuto as pessoas falando na rua, fico com vontade de chorar só de pensar que eu vou ter de aprender essa língua feiosa. É tanto esforço! E eu nem gosto muito de dinamarquês… Bom, ossos do ofício, reclamei só para desabafar.
Gente, aqui o interruptor que acende a luz do banheiro fica do lado de fora da porta!
Quando chegamos, a família do Jens nos buscou no aeroporto e nos levou direto para nosso apartamento. É lindo! Depois fomos jantar na casa dos pais do Jens e havia uma super festa surpresa para recepcionar a gente. Quase todos os amigos do Jens compareceram e foi muito bom rever todo mundo assim de cara (vamos esquecer as 18 horas de viagem e a necessidade de um banho). Foi bom também para não perder o pique das festas, que estavam a mil em dezembro.
No meu segundo dia aqui, nevou. Eu sabia, eu sempre tenho sorte com essas coisas. Porque nevar não é uma coisa muito comum na Dinamarca, mas todos estávamos torcendo. E foi perfeito porque os sobrinhos do Jens estavam com a gente e nós pudemos fazer boneco de neve, guerra de snowball e foi aquela farra.
O frio é muito gostoso. Hoje, por exemplo, saí de casa às 8, ainda escuro, e fui andando para a aula. Como a gente veste mil camadas de roupas, só o rosto é que sofre mesmo. O nariz e o queixo ficam até dormentes de tão gelados, mas aí você já não sente mais frio neles, hehehe.
Tenho que desabafar 2. Eu o-d-e-i-o o iTunes! AHHHHHHHH!
Hoje fiz minha primeira comida brasileira desde que cheguei. Bolo de milho. Achei um lugar que vende leite condensado bem pertinho de casa. Ficou uma delícia! Fora isso tenho comido as coisas daqui, que eu amo. Todo dia penso em fazer feijão, para não ficar com falta de ferro, mas não dá para ser espontânea nessa hora, é preciso planejar e colocar o feijão de molho com bastante antecedência (não tem panela de pressão aqui, bem). Por isso, vai ficando para depois.
A foto 1 é de uma exposição de arte moderna que a gente foi com o Severin. Para mim foi sensacional porque me diverti mais do que no zoológico olhando os bichos. A maioria das pessoas que vai a esse tipo de evento aqui é alternativa ao extremo, os alternativos/boêmios/emos/punks do Brasil não chegam aos pés do que eu vi nesse dia. Queria ser cara de pau suficiente para tirar foto das pessoas, mas não dá. Apenas acreditem: freak show total.
A foto 2 eu tirei para falar desse filme qua a gente assistiu outro dia. É sobre a vida do Ian Curtis, o vocalista da Joy Division. Eu não sabia a história dele, e é bem triste, mas o filme vale muito a pena pela fotografia, pela atmosfera anos 70s e pela música boa. O ator principal do filme é um fofo, quem for meio groupie feito eu vai se apaixonar na certa. O diretor é um fotógrafo holandês chamado Anton Corbijn que estréia com esse filme. Guardem o nome porque o futuro é promissor.
A foto 3 é só para deixar claro que aqui é apenas um lugar. Tudo pode ser diferente daí do Brasil, mas a pessoa que vos escreve ainda fala português, ouve bossa nova e toma guaraná. (Ontem eu fiz uma travessura e conectei o rádio que a gente tem no banheiro à “Nacional FM Brasília”. Ouvi as notícias e tudo. Se eu quiser, escuto até “A Voz do Brasil”. Mas aí já é demais né? Tenho que evitar).