Ensaio Sobre a Cegueira

Posted by vanhomrigh | Posted in News | Posted on 01-10-2007

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Hoje descobri uma coisa tão legal que não pude deixar de escrever esse post: o blog do Fernando Meirelles sobre o filme “Blindness”, baseado no livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago.

Eu tinha lido o livro há meio ano quando ouvi dizer que o Meirelles estava dirigindo o filme. Fiquei chocada. Um filme sobre esse livro deve ser no mínimo enervante. Digo isso porque o livro é tão puro, tão estéril, que faz a gente se sentir desconfortável ao se perceber tão animal.

Durante aquela semana, a da leitura, eu realmente pensava na história o tempo todo (pobres dos amigos mais próximos, que tiveram de aturar meus discursos deslumbrados). Mas gente, só lendo um livro como esse para a gente ter noção do quanto tudo seria louco se de repente acontecesse uma epidemia de cegueira. Isso sem falar nas inúmeras viagens filosóficas que decorrem dessa metáfora.

O livro está remoendo em mim até hoje e acho que é indício de ser bom. O Saramago escreve de um jeito genial, no começo parece estranho, mas depois que a gente pega o jeito a leitura flui. E ele teve um brilhantismo ao construir sua história num lugar qualquer, com personagens sem nome, numa época não se sabe qual. Poderia ser simplesmente aqui, agora, comigo e com você. Recomendo totalmente.

A primeira coisa que eu pensei quando ouvi falar do filme foi: “como o Meirelles vai mostrar toda a merda que se espalha pelo livro sem que o filme se torne insuportável?”. Porque de certa forma o cocô, em todas as suas variações, exerce um papel fundamental na história. E foi exatamente sobre isso que li hoje no post 6, escrito com muito bom humor e consciência. Não acredito que o filme vá ser tão bom quanto o livro, nunca é, mas estou super curiosa e otimista sobre o trabalho do Meirelles. Corram, leiam o livro antes do filme, tenho certeza de que valerá a pena.

E mais uma notícia inspiradora: hoje choveu. Acho que fazia cinco meses que não chovia… Eu e o Jens corremos para a janela e gritamos “iuhuuuu”. Logo logo outros entusiastas juntaram-se a nós e de repente tinha uma verdadeira torcida nas janelas: gente sorrindo, gritando, assoviando e aplaudindo. Todos com as mãos para fora para sentir a água caindo. Bem bonito de se ver.

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